02/11/2012

Os empreendedores 
sustentáveis do Cerrado
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Mary Neusa é uma artista da natureza e empreendedora sustentável que produz arranjos rústicos a partir de espécies do cerrado. Só pelo seu sorriso é possível ver que ela realiza um negócio de sucesso comercializando suas peças na Feira do Cerrado. Alguns dos seus belos trabalhos estão em fotos no cartaz do 18º Simpósio Ambientalista Brasileiro no Cerrado que ela exibe nesta foto. Abaixo outros artistas que tiveram seus trabalhos publicados e comercializam suas peças ou obras também na Feira do Cerrado realizada uma vez por semana em Goiânia.
A feira do Cerrado funciona todos os domingos das 9 as 12 horas no Parque da Criança, atrás do Estádio Serra Dourada, bem próximo da BR-153, no Jardim Goiás, Goiânia. Ela foi "criada para viabilizar a exposição e comercialização de produtos que colaborem para a valorização da cultura goiana e a preservação do bioma cerrado", diz o regimento interno da feira
José Cambota é artista plástico de Guapó que veio para Goiânia em 1958. Em 2000 ele começou seu trabalho artístico que reaproveita troncos e raízes, madeiras que parecem fósseis para fazer peças decorativas. "É você ter um olho mágico. Ver em um pedaço de madeira jogado na areia um objeto. Dou vida as coisas que estão mortas e assim tenho um complemento de renda". No quadro a representação do lobo guará do cerrado
Registrei esse belíssimo Ipê Rosa florido no dia da realização da Feira do Cerrado. Várias outras espécies do cerrado podem ser observadas também no local
Silvana Castro e Suely Lopes vendem as biojóias: bijuterias confeccionadas a partir de sementes e folhas de árvores do cerrado. O trabalho com as biojóias deu certo e já completa 8 anos só na Feira do Cerrado. O sorriso das empreendedoras diz tudo
Varias espécies floridas no local onde é realizada a Feira do Cerrado aos domingos
Antônio Eustáquio Coelho comercializa na Feira do Cerrado doces, licores, conservas de pequi, patês e outros. Destaca-se o licor de baru. Os doces são de uma fazenda do município de Campestre e de fábrica em Goiânia. É bom lembrar que o baru tem uma castanha semelhante a castanha do Brasil ou do Pará ou mesmo a castanha do cajú. Semelhante até no preço já que em Goiânia pode ser adquirida por cerca de R$ 30 reais o quilo: valor atraente para viabilização de negócios
Os produtos comercializados na Feira do Cerrado têm origem artesanal ou resultam do trabalho manual. Diz também o regimento interno da feira que os artesãos ou artistas devem ter preocupação com preservação ambiental e com os conceitos de sustentabilidade. Na foto banca de velas com inspiração a partir do cerrado: velas com essências cítricas, essências de canela e pedaços de cascas de árvores do cerrado
Maria Cerrado tambem comercializa biojoias e luminárias de fibras naturais do cerrado. Trabalha há 8 anos na Feira do cerrado e lembra que a feira  começou funcionando uma vez por mês. Ela explica que suas peças são feitas com frutos secos de peroba rosa, pau terra e outras espécies. "Se você conseguir trabalhar com a natureza de forma sustentável vale a pena. Tanto que estou desenvolvendo este trabalho há 15 anos. É muito bom trabalhar com a natureza, é gratificante. Assim podemos ver que é preciso preservar as árvores. Elas são o principal meio e fonte de vida da Terra"
O artista plástico José Cambota com uma viola que ele construiu reaproveitando madeiras do cerrado. Seu trabalho também mostra imagens de santos como São Francisco de Assis, crucifíxos ou carros de boi
Reinaldo Alves trabalha há 30 anos com artesanatos e vende topiarias, quadros e bonecos confeccionados com cascas de jatobá ou coco seco. Ele está há 8 anos na Feira do Cerrado. "Trabalho diferenciado tem de ter esforço grande do artista para que alguém compre. Cada peça que faço eu a melhoro mais. Fechei uma firma de representação para mexer com arte. Fiz um curso de flores e despertei a criatividade para a arte. Participo de eventos e estou sempre pesquisando, inovando, reinventando porque a competitividade é acirrada"
Lourival Cruz comercializa picolés e sorvetes com sabores de frutos do Cerrado. Estou com um de gabiroba (uma delícia), mas depois deste apreciei outro mais gostoso ainda do sabor de cajuzinho do cerrado com pequenas partes do fruto dentro do picolé. Muito bom ver os frutos do cerrado possibilitando trabalho e renda para muitas famílias. O que diretamente reflete em preservação dessas espécies vegetais já que os proprietários de terras sabem que os frutos podem ser comercializados para produção de produtos com sabores do cerrado
Antônia Alves de Sousa e sua filha comercializam sabonetes artesanais de barbatimão, aroeira e outros. Antônia lembra que está há seis anos e meio na Feira do Cerado depois de vir do município de Piranhas para Goiânia. Sobre plantas do cerrado ela aprendeu muito com sua mãe Judit Alves de Araújo que está hoje com 80 anos e fez curso de radiologia e de produção de sabonetes artesanais. "Acompanhei desde criança minha mãe no cerrado e fui esteticista durante 17 anos. Juntei toda essa experiência para produzir os sabonetes do cerrado"
Entre varios sabores os sabores de frutos do cerrado como buriti, cajuzinho, gabiroba, araticum, mangaba e outros. Se gera renda e emprego reflete na maior preservação


Cartaz do 18º Simpósio Ambientalista Brasileiro no Cerrado. São 18 fotos mostrando o potencial do cerrado a partir do trabalho de artistas. A arte final teve a participação de Valdo Carvalho da Secretaria Municipal de Educação. Ao centro do cartaz uma árvore sem folhas na Serra de Caldas Novas. Não foi possível identificá-la no momento porque estava sem folhas mas suas características lembram o Pau-Terra. O sorvete que aparece na foto ao lado do pequi é de frutos do cerrado: araticum, mangaba e gabiroba. A foto de remédios medicinais foi incluída propositalmente com objetivo de provocar a discussão do aproveitamento do cerrado para a produção de medicamentos. Em Goiânia pelas ruas e até em lojas é possível encontrar os conhecidos 'raizeiros". Até que nível a utilização das raízes, cascas e folhas de árvores medicinais do cerrado é sustentável? Quanto de pesquisa precisa ainda ser feita para conhecermos melhor o potencial dessas espécies vegetais? Nas fotos estão também guirlandas, mandalas, doces, licores e sabonetes: alternativas e práticas que deram certo mantendo emprego, renda e construindo uma nova mentalidade pela preservação do bioma cerrado. Empreendedorismo sustentável com alternativas e práticas com sucesso.


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